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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A EVOLUÇÃO DO ESTUDO DA LUZ E COR NA TERAPÊUTICA - Parte 1



                                                              Terapia com luz, cor e som / Carlos Cerqueira/Wartin
Sabemos que o som é uma vibração, mas não é só ele. Tudo no universo vibra incessantemente, até mesmo uma rocha maciça está vibrando, porque é feita de átomos, que por sua vez se apresentam ora como matéria, ora como onda (energia).
Até hoje ninguém soube dizer do que é feito energia, mas sabe-se que é uma vibração, que por sua vez é movimento. Nunca se viu uma energia que não estivesse em movimento e quando falamos de cor e luz não poderia ser diferente. No mundo sub-atômico, estas surgem quando um elétron realiza um movimento quântico, ou seja, desce para a camada onde normalmente é mais estável.
A cor chega ao ser humano através da percepção visual provocada pela ação de um feixe que é refletido de um objeto para as células que existem na retina. Essa percepção é processada pelos nervos ópticos e transmitida ao sistema nervoso central.
Um feixe de luz visível ao olho humano comporta uma determinada gama de comprimentos de ondas do espectro eletromagnético, que varia de 380 nm a 740 nm. 1 nm = 1.10-9 metros.



A cor percebida num objeto, na verdade, corresponde aos comprimentos de ondas que não foi absorvido de um feixe de luz, sendo refratado. 

Desde a Antiguidade, os egípcios davam grande valor ao sol, motivo pelo qual, é atribuído a eles, o desenvolvimento da terapia com as cores do espectro solar. Com os gregos, a técnica se propagou. Esses povos acreditavam que a cromoterapia (cromo=cor) era capaz de influenciar até as emoções das pessoas, cor vermelha, por exemplo, era usada como excitante, enquanto a cor azul, como relaxante. Heródoto, a cerca de 2500 anos atrás, ficou conhecido como o pai da helioterapia (helios = sol), por fundar uma cidade grega com inúmeros espaços reservados para essa finalidade. Seus contemporâneos Hipócrates, Pitágoras e Platão também compartilhavam de suas idéias a este respeito. Este último afirmava que “o fogo dos olhos faz surgir neles uma luz suave.

Essa luz interior funde-se com a luz do dia, formando um único corpo de luz. Esse corpo, uma fusão da luz interior com a exterior, forja uma ligação entre os objetos do mundo e a alma – uma ponte ao longo da qual os movimentos sutis de um objeto externo podem passar, causando o sentido da visão”.



Muitos séculos depois, em 1672, Isaac Newton formulou uma metodologia com a teoria da luz e da cor ao expôr sua clássica experiência com um prisma demonstrando cientificamente que a luz decompõe-se nas sete cores do arco-íris, as quais se originam das cores vermelho, azul e amarelo, que sozinhas, não podem ser decompostas em outras cores, e por sua vez são originadas da cor branca. O total de combinações a partir dessas cores chega à aproximadamente 16.700.000 cores. Exemplo:

Amarelo + vermelho = laranja
Azul + amarelo = verde
Azul + vermelho = roxo

Entretanto Newton, apesar da sua genialidade, considerava a luz como de natureza corpuscular (tendo um corpo), o que foi desmentido pouco mais de um século depois, por Augustin Fresnel com a teoria ondulatória. Já se imaginava que o som era transportado pelo ar, mas o que transportaria a luz?
Ainda no séc. XIX, James Maxwell, inspirado por Michael Faraday, deu a resposta ao concluir que a luz é um distúrbio eletromagnético que se propaga pelo campo de força criado de acordo com as leis eletromagnéticas. Depois disso, ficar-se-ia sabendo que luz, eletricidade e magnetismo estavam interligados e que ela, a luz, é uma onda eletromagnética ondulando pelo espaço.
Em 1840, o famoso escritor alemão Goethe lançou sua obra "Teoria das Cores" onde relatou, pela primeira vez na literatura, a influência psíquica que as cores exerciam nas pessoas. A partir daí, desencadeou-se várias pesquisas sobre o assunto, inclusive a descoberta tempos depois, de que as plantas podiam se “alimentar” de luz solar (fotossíntese).
Em 1877, surge outro livro sobre o tema, de S. Pancoast, discorrendo sobre o poder bactericida da luz violeta e, um ano mais tarde, um livro do norte-americano Edwin Babbitt e suas experiências no uso das diferentes tonalidades da luz para tratar enfermidade.
Seguindo a mesma linha, Max Lüscher realizou testes submetendo diferentes cores de luz, através dos olhos de coelhos, verificando que, dependendo da cor, havia estimulo ou inibição da função endócrina.
No final do séc. XIX, Augustus Pleasanton descreve o efeito da luz azul nos sistemas nervoso e glandular.
Em 1920, na Califórnia, um microscópio foi desenvolvido pelo pesquisador Royal Rife, a ferramenta iluminava diferentes microorganismos com luz polarizada e mostrava que cada um deles tinha uma freqüência vibratória e uma cor característica. Posteriormente criou o Rife Beam Ray, um aparelho capaz de gerar um campo eletromagnético que eliminava vírus e bactérias através do princípio da ressonância. Apesar dos resultados positivos, foi proibido de continuar seus trabalhos pelas autoridades do seu país.
Em 1922, o biólogo russo Alexander Gurwitsch fundamenta as bases da teoria dos biofótons ao concluir que, assim como a chama de uma vela pode saltar para acender o pavio de outra apagada, também as células de um talo de cebola iniciam o processo de mitose (divisão celular) quando colocadas próximas às raízes de outra cebola. Para demonstrar que o transmissor era luz em forma de luminescência fraca, Gurwitsch separou os talos da cebola por um vidro. Com o vidro comum, nada acontecia, mas com o vidro quartzífero, a mensagem de crescimento era transmitida. A diferença do vidro de quartzífero é que este permite a passagem de luz ultravioleta.
Esta experiência foi relatada pelo escritor Jack Allanach, segundo ele, cada uma das sete cores do arco-íris dentro do organismo tem uma relação específica com seu funcionamento.
Já o pesquisador Dinshah Ghadiali foi o fundador do Spectro-chrome Institute, um centro de estudos com o objetivo de treinar profissionais da saúde na cromoterapia, desenvolvendo para isso um aparelho emissor de luzes de variadas cores. Baseava-se na idéia de que os elementos biológicos emitiam uma freqüência e um comprimento de ondas característicos em suas funções e que seria possível auxiliar seus desempenhos com aplicações cromoterápicas. Foi impedido de continuar seu trabalho, por falta de estudos científicos conclusivos, apesar da mobilização de vários colegas de profissão, em favor da sua terapia.


QUADRO DE RECAPITULAÇÃO DAS PROPRIEDADES
CURATIVAS DAS CORES (Segundo Dinsha – 1930)


Talvez tenha sido o indiano P. Ghandiali quem mais conseguiu difundir a cromoterapia no séc. XX, com explicações sobre o uso de lâmpadas coloridas, publicando suas conclusões em 1933, entre elas, a questão da preferência de uma pessoa por uma determinada cor que estaria associada a ausência do elemento químico emissor de tal cor.


Em 1939, o russo Semyon Davidovich Kirlian, depois de acometido por uma forte descarga elétrica foi revelar filmes virgens e para sua surpresa percebeu a imagem de um brilho multicor ao redor da marca onde seus dedos haviam tocado os filmes. Concluiu então, que a forte descarga havia provocado alterações em seu organismo, a ponto de expor os filmes virgens com o simples contato de seus dedos. Surgia aí a semente das fotos Kirlian, as quais são tiradas com uma máquina que cria um campo magnético revelando uma luminosidade particular ao redor do objeto fotografado.




Em física, esse fenômeno é chamado “efeito corona”, sendo definido como uma absorção por parte do campo magnético das partículas atômicas de superfície (fótons e elétrons).


Posteriormente, Peter Mendel, criaria, em 1973, um trabalho de interpretação a partir dessas fotografias tiradas, das pontas dos dedos das mãos e dos pés e a relação das mesmas com a saúde do indivíduo fotografado. Seria uma das ferramentas para ele criar a cromopuntura, um método de aplicação de luz nos pontos da acupuntura.


Ainda na década de 70, Robert Gerard apresenta sua defesa de tese de mestrado demonstrando como os sentimentos e emoções são influenciados pela visão de certas cores e a relação com o sistema nervoso autônomo. Um estudo semelhante feito por Harry Wohlfarth, demonstrou a influência na pressão arterial, freqüência respiratória e cardíaca.


Em 1985, John Ott demonstra observações microscópicas dos efeitos da luz sobre padrões de movimento de cloroplastos, organelas dos vegetais que contém a clorofila, percebendo que algumas cores estimulavam os cloroplastos de determinadas plantas a realizarem mais fotossíntese, enquanto outras inibiam, verificou depois que também influenciava células animais.


Influenciado pelo trabalho do dr. Ott, Jacob Libermann, doutor em optometria na University of Geórgia, defendeu a necessidade dos raios ultra-violetas para saúde, desde que em partes do corpo e faixas de ondas específicas. Sendo útil na geração de vitamina D, redução da pressão sanguínea, como tônico cardíaco, na redução do colesterol, etc. Kira Samoilova, na Conferência LIGHT’ 98 também apresentou um trabalho com luz ultravioleta na purificação do sangue contra vírus e bactérias.


Liberman, afirmou em sua obra "Luz, a medicina do futuro: Talvez seja a hora de compreendermos que nosso conhecer intuitivo antecedeu nossas descobertas científicas. Será que não estamos, na verdade, utilizando o método científico para comprovar o que já sabemos?"


O próprio Albert Einstein disse algo semelhante: “a Mente Intuitiva é um presente sagrado e a Mente Racional é um fiel servente. Temos criado uma sociedade que rende honras ao servente e esqueceu-se do presente.”


Já na década de 90, o doutor em física, Fritz-Albert Popp inventa um aparelho capaz de registrar os biofótons descobertos por Gurwitsch, demonstrando cientificamente que os organismos biológicos se comunicariam através da emissão inteligente de fótons, e através destes as informações biológicas seriam transmitidas entre as células vivas. Definiu os biofótons como sendo luzes de tensão ultra fraca emitidas pelas células do corpo, relatando sobre a estrutura energética que envolve e direciona o funcionamento dos organismos.


Numa publicação da Scientific and Medical Network, ele declarava que as células vivas normais emitem uma corrente regular de fótons e que o funcionamento de todo o nosso organismo depende da luz.


Concluiu que a evolução, antes de ser o resultado do mais forte sobrepujando o mais fraco, e sim na capacidade de comunicação, a qual não é tanto um produto do desenvolvimento de indivíduos, mas de sistemas vivos interligados em um todo coerente.


Popp e colaboradores verificaram que tomates cultivados organicamente apresentaram cinco vezes a emissão de biofótons do que tomates cultivados convencionalmente usando fertilizantes. Ovos de galinhas caipira apresentram duas vezes mais a quantidade de biofótons do que os de granja. 


Posteriormente, também nos anos 90, Norman Rosenthal veio reforçar as experiências de Max Lüscher (o qual verificou em coelhos, que luzes de diferentes cores incididas ao olho, estimulavam ou inibiam a função endócrina), com a descoberta da causa do Distúrbio Emocional Sazonal (SAD), termo criado pelo consultor da NASA, George Brainard, ao observar que muitas pessoas ficavam deprimidas no inverno perdendo significativamente o desempenho nas suas atividades diárias, devido ao aumento da produção, pela glândula pineal, do hormônio que induz ao sono, chamado melatonina. Os testes concluíram que a luz do dia, a qual chega à glândula pineal pelos olhos, inibe a produção deste hormônio, mas por ficar reduzida nessa época, isso deixaria de ocorrer. Numa tentativa de solucionar o problema fizeram uma “caixa luminosa”, a qual reproduzia a função de suprimir a melatonina, atualmente, já existe até um despertador que vai clareando aos poucos, antes de tocar o alarme.
Atualmente, nossa medicina, apesar de ter dado prioridade ao tratamento com drogas sintéticas, ainda continua usando a cromoterapia, muitas vezes sem se dar conta disso, como no caso da preferência por cores mais “vivas” nos quartos de hospitais para levantar a auto-estima dos pacientes, o banho de luz amarela em bebês prematuros com icterícia, o banho de sol (nos horários não prejudiciais) para produção de vitamina D, nos casos de raquitismo e osteoporose, entre outras recomendações.

Fonte: Material de aula do curso de Terapias Naturais Integrativas. Módulo Terapia com luz, cor e som. Instrutor Carlos Cerqueira Magalhães (Mestre em Ciências Farmacêuticas).


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