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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cidadão-Cidadã - Jorge Mautner





Assim como é natural o vôo da borboleta
Assim como falta uma mão no maneta
Assim como não acho nada de anormal
No fato de você ser trocaletra
Acho que se deve ser diferente
E não como toda a gente
Mas igualmente ser gente
Como toda essa gente
Deste país continente, e de todo o planeta
Assim como é lindo o pirata apesar de ser perneta
Com uma mão segurando a mão do grumete
E com a outra a luneta
Dizendo é natural que os anjos do juízo final toquem trombeta
E vieram pelos espaços os anjos do senhor
E desceram como pára-quedas azuis e transparentes
No meio do campo de batalha
Que era televisionado vinte e cinco horas
Por dia, via satélite, a cores
E no meio dos horrores
Tocaram suas trombetas
E derrubaram a muralha de Jericó
Quem, quem, quem a não ser o som
Poderia derrubar a muralha dos ódios
Dos preconceitos, das intolerâncias
Das tiranias, das ditaduras
Dos totalitarismos, das patrulhas ideológicas
E do nazismo universal?
Acho que todo cidadão
Ou cidadã
Deve ter possibilidades de felicidades
Do tamanho de um super Maracanã
E deve e pode ser azul, negro ou cinza
Sorridente ou ranzinza
Verde, amarelo e da cor vermelha
Deve-se somente ser e não temer viver
Com o que der e vier na nossa telha
Vivamos em paz
Porque tanto faz
Gostar de coelho
Ou de coelha...

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