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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Quando o cérebro é o médico... ...e o monstro


O impacto das emoções e dos transtornos psíquicos sobre a saúde orgânica é muito maior do que se supunha. A psique é tão importante quanto a genética e o estilo de vida no desenvolvimento e no tratamento das mais diversas doença...

Durante exames de rotina, em 1998, a psicóloga Lívia Borges, de 39 anos, descobriu que os níveis dos hormônios de sua tireóide estavam abaixo do normal. Foi um susto e uma surpresa. "Eu não me sentia doente", lembra. Na consulta com um endocrinologista, veio o diagnóstico: hipotireoidismo. Sua glândula funcionava num ritmo muito lento, e Lívia teria de tomar remédios para o resto da vida. Foram cinco anos à base de hormônios sintéticos. "Em 2003, resolvi fazer psicoterapia, porque minha vida não estava nada boa", conta ela. Depois de seis meses de sessões, tudo começou a ficar mais claro: "Eu me sentia constantemente agredida nos relacionamentos pessoais. Eu entregava muito mais do que recebia, e essa troca desigual não me fazia bem. Era assim no meu casamento, nas minhas amizades e na minha família". Desvendados os mecanismos psíquicos que a levavam a comportar-se dessa maneira, Lívia resolveu parar com os medicamentos. Hoje, sua tireóide vai muito bem e sua cabeça idem. O hipotireoidismo era, como se costuma dizer, de fundo emocional. 
Já se sabe que pelo menos 150 doenças podem ser desencadeadas pelas aflições psicológicas de seus portadores: das alergias de pele à bulimia, da infertilidade ao infarto, do diabetes tipo 2 às disfunções glandulares, como aquela que afligiu Lívia. Explicar o peso dos conflitos íntimos na gênese e no tratamento dos mais diversos distúrbios representa um desafio. Desafio que, agora, une médicos e psicólogos, lados antes muito conflitantes. O reconhecimento, por parte dos primeiros, de que desequilíbrios de ordem psíquica podem, sim, ter um impacto direto na saúde ampliou bastante o campo de investigação da medicina psicossomática, a disciplina que procura estabelecer uma relação de causa e efeito entre o que vai pela mente e pelo corpo.

O número de pessoas que sucumbem fisicamente às suas próprias emoções é enorme. De cada dez pacientes que procuram um médico pela primeira vez, três apresentam queixas inexplicáveis na aparência, sem nenhuma causa orgânica. Tais sintomas, esclarecem os psicólogos, surgem exatamente para chamar a atenção para o sofrimento psíquico. "Quando são apenas sinais, diz-se que o paciente está somatizando", explica o psicanalista Roque Magno de Oliveira, professor da Universidade de Brasília. O correto, então, é encaminhá-lo à psicoterapia e pronto. Mas pode ocorrer de esse processo de somatização, detectável durante uma consulta médica mais acurada, já ter causado males verificáveis por exames clínicos e laboratoriais. Nesse caso, está diagnosticada uma "doença de origem psicossomática", que precisa ser curada por meio de remédios e tratamentos convencionais. O encaminhamento a um psicoterapeuta, aqui, deve ser feito em paralelo. Não raro a atenção aos transtornos psíquicos não só previne o surgimento de doenças como ajuda no combate aos males orgânicos instalados por eles.

A MENTE ABRE AS PORTAS PARA A DOENÇA


É um erro, porém, atribuir todos os males a origens psicossomáticas. Essa visão equivocada é fruto de um certo "fundamentalismo psicológico" e foi denunciada pela escritora americana Susan Sontag, que morreu em dezembro de 2004, vítima de câncer. Na década de 70, quando recebeu o diagnóstico de que tinha um tumor maligno no seio, Susan ouviu de muita gente que o câncer era uma doença típica de pessoas com personalidade cinzenta, que reprimiam suas emoções ou não as demonstravam a contento. Os pacientes viam-se obrigados a arcar, assim, com um duplo peso: o do próprio tumor e o da "culpa" por tê-lo criado em virtude de um caráter pouco expansivo – tese sem nenhum respaldo científico. Inconformada, a escritora lançou-se a uma pesquisa histórica e constatou que, antes de ser descoberto o bacilo deflagrador da tuberculose, essa infecção pulmonar, um verdadeiro flagelo até o início do século XX, era também creditada a um dado de personalidade: gente romântica demais estaria mais afeita a contraí-la. Contra esse tipo de baboseira, Susan escreveu um livro belíssimo, A Doença como Metáfora.


O que a ciência tem como certo é que os transtornos psíquicos, sejam eles circunstanciais ou definidores da personalidade, podem aguçar a propensão – genética, ambiental – a determinadas doenças e distúrbios. Se 15% das mulheres portadoras de genes mutantes como o BRCA 1 e o BRCA 2, diretamente associados ao surgimento do câncer de mama, não desenvolvem a doença, isso ocorre, segundo os especialistas, porque elas contam com uma espécie de imunidade mental. "As experiências clínicas já mostraram que, se existe uma predisposição genética, a doença se manifestará em pacientes com maior instabilidade emocional", diz o psicanalista Rubens Marcelo Volich, autor do livro Psicossomática – de Hipócrates à Psicanálise.



Uma das perturbações de ordem psicossomática mais comuns é a infertilidade feminina. Muitas mulheres se angustiam (e a seus maridos) por não conseguir engravidar tão rapidamente como amigas suas. Acossadas pela angústia, de forma inconsciente tornam a concepção ainda mais difícil. O resultado é que, depois de anos de tentativas e tratamentos infrutíferos, boa parte delas desiste e parte para a adoção – e eis que, passado algum tempo no papel de mães adotivas, recebem a notícia de que estão finalmente grávidas. Prova-se, dessa forma, que a dificuldade tinha menos a ver com os ovários do que com o cérebro. "Exerço a medicina há trinta anos e a cada dia me convenço mais do poder da mente sobre a saúde", diz o ginecologista Paulo Serafini, do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva.
 
A PSICOTERAPIA E OS GOLS DE RONALDO




Recentemente, o Brasil acompanhou – preensivo – um processo que, tudo indica, é de Somatização. Pouco antes do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo que está em curso, o jogador Ronaldo reclamou de muita tontura. Entrou em campo, teve uma atuação pífia contra a Croácia e, na saída, continuou a queixar-se de tontura. Depois da partida, o camisa 9 foi submetido a uma endoscopia, para a detecção de uma eventual gastrite. Os exames não acusaram nada. Aparentemente só há uma explicação plausível para o piripaque de Ronaldo: pressão demais. Não foi a primeira vez. Na Copa de 1998, na noite anterior à final com a França, o jogador teve contrações nos músculos, suou muito, sofreu uma convulsão e desmaiou – sem que houvesse uma justificativa orgânica para tanto. 



Casos como o de Ronaldo foram descritos há mais de um século pelo austríaco Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Em um texto de 1895, Freud elencou os sintomas de uma perturbação nervosa que chamou de neurose da angústia: ataques de suor, de bulimia e de asma. Tremores, convulsões, tonturas. Palpitações, arritmias, taquicardia e "até graves estados de debilidade do coração, difíceis de diferenciar de uma doença orgânica", escreveu Freud. Ronaldo deveria, portanto, procurar um psicoterapeuta.

Ao longo da história, vários autores relataram a influência das emoções – positivas e negativas – sobre a saúde. A maior ou menor importância que se deu ao tema variou conforme o pensamento e as descobertas científicas e tecnológicas de cada período, num vaivém constante. O psiquiatra alemão Johann Christian Heinroth defendeu no livro Desordens da Alma, de 1818, a idéia de que as paixões sexuais contribuíam para o aparecimento da tuberculose, da epilepsia e do câncer. Aliás, é dele o termo "psicossomático" – do grego psyché, mente, e sôma, corpo. Foi somente a partir da década de 70, no entanto, que a aproximação entre a medicina e a psicologia se estreitou, e a área psicossomática começou a ganhar reconhecimento científico. O "fundamentalismo psicológico" denunciado por Susan Sontag atrasou o progresso de um campo da medicina que só agora reclama sua posição no mundo científico. As evidências físicas do entrelaçamento de mente e corpo são extraordinárias. Sabe-se, por exemplo, que as vísceras (coração, pulmões, rins, fígado e estômago) e todas as glândulas são comandadas por feixes de nervos dos sistemas simpático e parassimpático. Eles devem conviver em equilíbrio constante. Ou seja, quando um é estimulado, o outro é desestimulado. Os sintomas dessa concertação são conhecidíssimos por todos, médicos e leigos. O estímulo do sistema simpático mobiliza o organismo, aumentando a respiração, a freqüência dos batimentos cardíacos e a pressão arterial. Como conseqüência dessa excitação, o sistema inibe outras funções, em especial a digestão. Por essa razão, os exercícios físicos extenuantes são um risco depois de fartas refeições. O exemplo acima é de funcionamento normal do sistema. Ocorre que uma sobrecarga de emoções constantes ou de stress diário pode submeter o sistema de nervos a um ritmo de ajustes que ele não consegue acompanhar. Resultado: doenças digestivas provocadas por causas externas. Sabe-se também que diversas neuroses de baixa intensidade são acompanhadas de distúrbios físicos dos órgãos comandados pelos sistemas simpático e parassimpático.

O PODER DAS PALAVRAS SOBRE A SAÚDE

O trabalho dos americanos Bob Ader e Nick Cohen foi fundamental para elucidar ainda mais essas inter-relações. Eles mostraram que, mediante um estímulo externo, o sistema imunológico pode ser "ensinado a se anular". Ader e Cohen misturaram sacarina a um remédio anticâncer, que naturalmente baixa as defesas do organismo, e administraram o coquetel em ratos de laboratório. Depois de repetir o procedimento diversas vezes, eles ofereceram apenas sacarina às cobaias. Pois bem, mesmo sem a adição do medicamento, elas registraram uma baixa no sistema imunológico. Seu cérebro obedeceu a uma sugestão, obtida por meio de condicionamento. A conclusão dos pesquisadores: se algumas conexões de neurônios podem enfraquecer as defesas do corpo, existem aquelas que também servem para aumentá-las. Com esse experimento, explicou-se, por via inversa, o efeito placebo, descrito pela primeira vez cerca de três décadas antes. O efeito placebo é a melhora do paciente tratado à base de remédios inócuos. "Uma série de fatores propicia o efeito placebo. De todos eles, o mais importante é a expectativa do paciente", disse o médico canadense Grant Thompson, professor da Universidade de Ottawa e autor do livro The Placebo Effect and Health, em entrevista à repórter Giuliana Bergamo. "Não é uma pílula de farinha ou de açúcar que faz um paciente melhorar, e sim o que esse paciente espera dela. Diversos estudos já mostraram que, quando se acredita na eficácia do tratamento, ele funciona muito mais."

Uma pesquisa fascinante acerca das benesses das emoções positivas sobre a saúde orgânica foi conduzida por estudiosos da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos. Por quinze anos, eles acompanharam 678 freiras, com idade acima de 75 anos. Interessados em estudar a doença de Alzheimer, avaliaram a história pessoal e médica de cada uma delas. Ao analisarem diários escritos pelas religiosas quando elas eram bem jovens, os pesquisadores perceberam que as que utilizavam em seus relatos uma maior quantidade de palavras ligadas a emoções positivas – como felicidade, amor, gratidão e esperança – haviam chegado com mais saúde à velhice do que as que costumavam usar grande número de vocábulos com significados negativos – como tristeza, indecisão e vergonha. 

O "EU INTERIOR" APAGADO NO LABORATÓRIO

Para o reconhecimento da psicossomática, deu-se um passo decisivo na década de 90, com o surgimento de máquinas capazes de flagrar o cérebro em pleno funcionamento. Graças a esses aparelhos, conseguiu-se verificar que as emoções e as sensações são fenômenos físicos, que ocorrem em lugares específicos do cérebro. Para desilusão dos metafísicos, a ligação mente/corpo não é etérea, mas quase palpável. Na década de 90, o físico inglês Francis Crick (1916-2004), o gênio da dupla Crick-Watson que descobriu a forma de hélice do DNA, deu um passo gigantesco na aproximação de corpo e mente. Crick classificou os pensamentos e emoções de acordo com as ondas cerebrais que produziam. A alegria e a tristeza, o doce e o amargo, o claro e o escuro são sensações que produzem registros de ondas cerebrais tão distintas quanto as impressões digitais. De todas as medidas de Francis Crick, a mais estupenda foi a da freqüência da onda que o cérebro dos seres humanos utiliza para definir a consciência – ou seja, a individualidade, o dom de saber que você é você e o outro é o outro. A autoconsciência, descobriu Crick, é expressa por ondas cerebrais de 40 hertz. Em experimentos de laboratório Crick conseguiu algo antes inimaginável. Com a ajuda de eletrodos, o gênio do DNA banhou o cérebro de alguns voluntários com ondas de 40 hertz de picos invertidos. As ondas simétricas que os eletrodos de Crick injetaram no cérebro dos voluntários anularam as ondas da autoconsciência. Resultado: os voluntários continuaram com as mesmas habilidades mentais que possuíam (jogar xadrez ou falar idiomas, por exemplo), mas não mais sabiam quem eram. Seu "eu interior", com toda a riqueza de amores, emoções e auto-estima, foi momentaneamente anulado por um mero impulso elétrico externo.

Os pesquisadores estão empenhados agora em deslindar melhor as relações entre o sistema nervoso central e o imunológico e endocrinológico. Eles não têm mais dúvidas de que a comunicação de hormônios, moléculas e células de defesa pode sofrer influência direta da psique. Erros nessa comunicação podem levar ao surgimento de doenças auto-imunes, como alergias, e infecções de todos os tipos. Também podem causar fobias, pânico e depressão. "Nós estamos começando a entender a relação de interdependência entre o cérebro e o sistema imunológico – como eles ajudam um ao outro a se manter equilibrados e como o mau funcionamento entre ambos produz doenças", disse a VEJA a médica americana Esther Sternberg, uma das principais pesquisadoras em medicina psicossomática, autora do livro The Balance Within: the Science Connecting Health and Emotions (em português, algo como O Equilíbrio Interno: a Ciência Conectando a Saúde e as Emoções).

Entre as alternativas psicológicas que comprovadamente ajudam a evitar doenças e aceleram a recuperação física estão a psicanálise, a meditação e as terapias cognitivas comportamentais. Estas últimas sofreram impulso nos últimos anos, pelo fato de proporcionarem bem-estar de maneira rápida. O que importa, para seus seguidores, é ensinar o paciente a evitar a cadeia de reações emocionais que leva o corpo a responder com sintomas físicos. A meditação, por sua vez, visa a acalmar a mente das atribulações cotidianas. O estudo mais recente nesse campo submeteu pacientes cardíacos à técnica e comprovou que eles se beneficiaram de uma redução da pressão sanguínea. A hipótese é que a meditação modula a resposta do sistema nervoso ao stress. Nenhuma dessas duas técnicas, no entanto, age na raiz dos problemas psíquicos – ou seja, a história pessoal de cada um e os conflitos causados por ela. Esse papel cabe à psicanálise, que demanda tempo, disposição e dinheiro para que o paciente se aventure na tortuosa via do autoconhecimento.

O caminho para a psicossomática está aberto em definitivo, graças à associação entre médicos e psicólogos. Mas, apesar de todas as descobertas, ainda há muito por trilhar. Uma doença não é um episódio único. É fruto de uma história de vida. Sabe-se que há fatores ambientais e genéticos que são decisivos no aparecimento de uma doença – entre eles, idade, fumo, obesidade, sedentarismo. Qual o peso, contudo, de um luto no sistema imunológico de uma pessoa? Como medir quanto uma separação conjugal debilita o organismo? O poder da sugestão mental sobre a saúde foi objeto de uma frase famosa do escritor francês Stendhal, autor do clássico O Vermelho e o Negro. Ele afirmou que "nomear uma doença é apressar-lhe o progresso". O contrário – nomear uma cura para que a saúde se restabeleça – é uma hipótese que pertence tão-somente ao terreno da religião. O que os cientistas acreditam é que, num futuro não tão distante, será possível auscultar o cérebro para evitar que doenças atravessem a alma e desintegrem o corpo.

PENSAMENTO E AÇÃO



Em 2004, o neurocientista paulista Miguel Nicolelis foi eleito pela Scientific American, a revista de divulgação científica mais importante do mundo, um dos cinqüenta líderes mundiais da ciência. Seu feito: conseguir que macacos controlassem braços mecânicos usando apenas ondas cerebrais. Não há nada de paranormal no experimento de Nicolelis. A equipe do brasileiro, que dirige o laboratório de neurofisiologia da Universidade Duke, nos Estados Unidos, usou impulsos elétricos do cérebro dos primatas para mover as próteses. Uma delas estava no laboratório. A outra estava a quase 1 000 quilômetros de distância, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Boston. Para conseguir isso, Nicolelis implantou eletrodos no cérebro dos animais e registrou num computador a atividade elétrica nas áreas responsáveis pelos movimentos de seus braços. Os macacos ficavam ligados a esse computador por fios com diâmetro menor que o de um fio de cabelo. Quando eles moviam os braços, a prótese mecânica, também conectada ao computador, realizava movimentos semelhantes. A máquina estava conectada via internet à outra, instalada em Boston. Dessa forma, quando os macacos se mexiam, também acionavam o segundo braço.

O estudo que alçou o brasileiro ao estrelato do mundo científico foi publicado no ano 2000. Há dois anos, fez-se uma experiência semelhante com humanos. Os cientistas desenvolveram um processo capaz de captar o conjunto de sinais emitidos por centenas de neurônios, simultaneamente, no momento em que uma pessoa realiza um movimento. Comandos feitos por meio de ondas cerebrais são a esperança sobretudo dos deficientes incapazes de movimentar partes do corpo. Num futuro não muito distante, espera-se, eles poderão mover braços e pernas robóticos por meio desse expediente.

Compreender os mecanismos que determinam os movimentos e buscar uma forma de codificá-los em linguagem digital é apenas uma das muitas frentes da ciência no esforço de decifrar o funcionamento do cérebro. Muito se tem avançado nesse campo nos últimos anos. Tamanho é o interesse pelo cérebro que é comum ver as mais diferentes áreas trabalhando juntas – da física e da engenharia à psiquiatria e à neurologia. O experimento na Universidade Duke é um exemplo dessa conjugação de esforços.


ALÍVIO NA PSICOLOGIA - As técnicas que comprovadamente minoram os sintomas psicossomáticos e serenam as emoções

Psicanálise
O método criado pelo neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) requer um paciente disposto a mergulhar em sua história pessoal. De todos os métodos para o tratamento das perturbações psicossomáticas, a psicanálise é a que vai mais fundo na exploração dos conflitos íntimos. Por isso, também é a mais longa (geralmente se estende por anos) e a que exige mais disponibilidade do paciente. Já se mostrou que, depois de alguns anos de sessões, a psicanálise é capaz de alterar a química cerebral, assim como os remédios

Meditação
A prática regular da meditação reduz os sintomas somáticos, medos e fobias por meio do controle da ansiedade. Estudos recentes mostram que a meditação afeta diretamente a função e a estrutura do cérebro, com repercussão no resto do organismo – a melhora do sistema imunológico, por exemplo. Meditar reduz o consumo de oxigênio, regula a respiração, desacelera os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial

Terapia Cognitivo-Comportamental
Também chamada de terapia breve, é uma espécie de tratamento psicológico de choque. Ganhou força nos anos 90, com o sucesso no tratamento de fobias. De lá para cá, passou a ser aplicada para o tratamento de sintomas específicos causados sobretudo por reações de stress, como taquicardia, tonturas e falta de ar. Essa terapia não se destina ao autoconhecimento, como a psicanálise. Seu objetivo é apenas cancelar a cadeia de reações físico-mentais que são sintomas de somatização. Em casos de ansiedade generalizada, sua eficácia é de 80%

Coaching
É a última novidade no tratamento dos sintomas psicossomáticos. Parte do princípio de que a duração e o grau de severidade de um sintoma podem ser mudados com alterações no estilo de vida e no modo de pensar do próprio paciente. Um psicólogo age como um treinador, estabelecendo metas a serem cumpridas e desafios a serem vencidos. É uma espécie de adaptação dos conselhos de auto-ajuda para a prática psicoterápica
Fontes: José Roberto Leite, psicólogo, e Rubens Volich, psicanalista

Fonte:http://veja.abril.com.br/280606/p_066.html

Um comentário:

  1. http://www.noticiasnaturais.com/2014/06/homens-cuidado-com-esta-substancia-toxica-na-comida-e-meio-ambiente/
    caro valter , mais uma para aumentar a fila
    abraços Geovani

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